• Raul Otuzi

a_bsurda entrevista Pris Lo, artista e creator

Sua arte expressa sua força e sensibilidade. Pris Lo é autêntica, espontânea, incisiva. Como é bom a gente poder apreciar pessoas e artistas como ela, com tanta personalidade e múltiplas habilidades. Pris Lo é também Pris Lo Jungle. Descubra mais.

1. Artista, jardinista, consultora, creator, social media...como você se define? 

É muito difícil me definir, já que faço tantas coisas. Mas creio que todas elas se complementam. Todas elas sou eu, são habilidades relacionadas. A criatividade que eu sempre tive e aperfeiçoei ao decorrer da vida. Sou comunicadora, artista, analista, gestora, oficineira, jardinista, creator, consultora... Me considero em suma uma criadora: de conteúdos, experiências, devaneios... até para cuidar de plantas é necessário criatividade. 


2. A meditação tem grande importância na sua vida. Como tudo começou?

Muita! Mas muita mesmo. Tudo começou há 7 anos atrás quando conheci e comecei a praticar o budismo e determinei a partir disso realizar a minha revolução humana. Ela vem antes de qualquer revolução.

Costumo dizer que minha vida se divide entre antes e depois do budismo. 

A meditação me acalma, me empodera, me fornece força e alegria de viver, saúde e me faz ver a realidade como ela é, sem véus de ilusão. Me faz ser feliz mesmo cheia de problemas. Porque eu tenho a clareza que ser feliz é lidar com a vida como ela é. Portanto, se eu sou uma pessoa que resolve os problemas que aparecem (e que nunca vão deixar de aparecer), eu fico feliz. Porque passo a não ter mais medo dos problemas, e sim aceitar e compreender. 

3. Suas oficinas de colagem libertam o potencial criativo. Como funciona esse processo? Dá um exemplo, se possível.

Minha oficina tem o objetivo de democratizar e desmistificar a meditação, abordar a importância da arte como ferramenta para nosso desenvolvimento e sobre como a criatividade está em tudo na vida, e não somente nas pessoas que trabalham com criação.

Ela tem 5 fases e dura 4 horas. 

Oficina no Forró da Lua Cheia


Começo me apresentando, falando um pouco sobre o meu trabalho e como cheguei até aqui. Depois proponho que todos se apresentem e se conheçam. Depois eu explano um pouco sobre meditação, faço exercícios de relaxamento, contemplação dos 5 sentidos e a meditação guiada com foco em despertar o imaginário, que é bem ativa e cheia de atividades divertidas que também despertam os sentidos, pois uso muito a música para ambientar cada atividade feita mentalmente. 

Depois falo um pouco sobre o movimento surrealista, o pop art, a colagem e arte de rua. Ensino como criar harmonizações de cores a partir do círculo cromático, falo um pouco sobre técnicas de colagem e aí, após todo esse processo, colocamos a mão na massa.


Eu preparo a mente dessas pessoas para estarem focadas na atividade, para aprenderem como pode ser positivo olhar pra dentro, e como aprender sobre si mesmos a partir da autopercepção quando estão de frente com os desafios lançados na atividade. 

É revelador.  Cada um sai com um insight diferente, porque a principal ferramenta não sou eu, ou a colagem, e sim, eles mesmos. 

4. Quais são suas referências? Artísticas, profissionais e pessoais?

Tenho muuuuuitas referências artísticas, profissionais e pessoais, muitas mesmo. 

Mas vou citar as principais:

- Viviane Mosé - como pessoa e profissional. 

- Frida Kahlo, Eugenia Loli e Marina Abramovic como artistas.

- Carol Costa, Gal Barradas, Kiki Moretti e Luiza Trajano, como profissionais de comunicação.

Lambe-lambe. Fazendo arte na rua


5. Colaboração e empatia. Você acredita nas duas? Por quê?

Não só acredito como pratico e comprovo na minha vida.

Ninguém é uma ilha, todo mundo precisa de todo mundo o tempo todo. 

Sem a colaboração de muitas pessoas eu não teria crescido tanto, eu não estaria onde estou, eu não teria revisto falhas, feito autocritica, eu não teria como viver, como ter energia, como comer, como ter água... por mais que eu não as conheça, tem muitas pessoas fazendo coisas por mim para que eu tenha o mínimo de conforto pra viver. 

Sem excluir o fato de que quando você colabora com alguém também está colaborando consigo mesmo. No budismo tem uma frase que exemplifica isso:

"Quando você acende uma vela para iluminar o caminho de alguém, também está iluminando o seu".

Pra mim, a evolução individual e coletiva está na colaboração a partir do exercício da empatia. 

Algumas belas obras de Pris Lo




6. O que a pandemia mudou dentro e fora de você?

Cada dia eu tenho que tirar um coelho da cartola diferente. 

Despertou e está despertando muitas coisas. Mas busco refletir e aprender com todas elas.

Como eu tenho o hábito de meditar, consequentemente eu tenho o hábito de me observar. Observar meu corpo, minha mente, meu emocional... 

Há dias que eu sinto mais forte tendências negativas, como depressão, ansiedade, angústia, preguiça, desmotivação... e tá tudo bem eu ter um dia ou outro assim, o problema é estacionar nesta tendência. Também há dias que eu sinto minha energia mais ativa, minha paciência mais presente, minha criatividade mais aguçada. 

A meditação é como um termômetro pra você saber como você está naquele dia. Pois as influências podem mudar nosso estado de vida o tempo todo.

A meditação também aumenta a capacidade de resistência e autocontrole, de lidar com os desafios que surgem, de transformar as dificuldades em aprendizados e fazer algo a respeito.

Algo que gere valor, que me ajude a me entender, a entender o outro e entender a realidade do ambiente no qual estou inserida. 


7. Jogo rápido:

Uma obra de arte. 

A performance The Lovers, da Marina Abramovic com o Ulay. 


Uma planta.

Monstera - a famosa Costela de Adão. 


Uma marca.

Do Bem. 


Uma cena.

Do meu filme preferido da vida, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Quando Amélie descobre o gosto bom de ajudar as pessoas, pega no braço de um senhor cego, e a caminho do metrô, ela descreve pra ele os detalhes da rua cheia de comércios que eles estão passando. E no final, o senhor, parado em frente a estação de metrô sente uma espécie de epifania. 

Um afeto.

Cafuné e abraço. 

Um resíduo.

Todo orgânico que vira adubo. 

8. Você expressa suas opiniões com veemência, você  se considera uma ativista?

Sim, sem titubear. Ativista a favor da vida, da consciência, da autocrítica, dos direitos humanos, da intelectualidade, da comunicação, do autoconhecimento. Estamos vivendo o caos, e nós temos o potencial de mudança dentro de nós, só precisamos desconstruir padrões nocivos que nos fazem ter comportamentos que freiam o desenvolvimento, tanto pessoal, quanto da sociedade.

Mas nada cai no colo, é preciso decidir querer fazer algo pelo mundo, deixar um legado, ser útil de alguma forma já que estamos aqui. Viver com propósito dá sentido pra vida. 

Arte para o espetáculo Leopoldina


9. Qual é o seu propósito? O seu grande projeto de vida?

Me manter forte, alegre, equilibrada, sábia, saudável e carismática, para poder inspirar positivamente todas as pessoas a minha volta, assim como muitas me inspiraram. Medito constantemente pra isso. Enquanto eu conseguir, não preciso de mais nada na vida. 



10. Para encerrar: E se você fosse Deus, o que criaria?

Eu sou budista, não acredito em Deus, mas se eu tivesse um super poder, acho que seria despertar o autoconhecimento de todas as pessoas. Isso resolveria muitos problemas.


Se resolveria, Pris Lo. Muito obrigado por sua entrevista e palavras encorajadoras.

350 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo